sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Doutores das Águas"

Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara - UNESP.
     Foi como se eu tivesse voltado ao ano de 1974 na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara, ao ler o artigo publicado originalmente em 05 Nov 2013, aqui!







Projeto Rondon, fazendo a diferença!
       Voltei no tempo diante dos meus amigos que conheci na faculdade: José Carlos do Amaral Sampaio, o "Tasso" e o saudoso Renato Ribeiro de Oliveira - empolgados,  narrando suas experiências ao retornarem de Irecê - BA, sede do Campus Avançado da nossa Faculdade, onde haviam participado do Projeto Rondon.  Sob o lema: "integrar para não entregar", o projeto foi criado em 1967 no governo militar e extinto em 1989 no governo civil de José Sarnei.

     É com a mesma emoção daqueles dias, que tenho o orgulho de transcrever alguns trechos do excelente artigo da jornalista Clarice Sá:



     "Doutores das Águas - Equipe de voluntários promove atendimento médico e dentário em comunidades ribeirinhas e dá orientações básicas de higiene e saúde em áreas isoladas.

    A alegria provocada por uma medida simples foi o que inspirou Francisco Leão, o médico que entregou o frasco de analgésico que deu origem às expedições.  Ele estava em uma viagem de pesca por rios da região amazônica quando atendeu uma mulher que reclamava de dores no pé.  Após  tomar o remédio, e descobrir que com ele poderia tratar febre de crianças, ficou extremamente grata. 'Ela demonstrou uma felicidade, como se eu tivesse dado uma coisa muito preciosa.'



    O alívio gerado por um pequeno frasco de analgésico, serviu como ponto de partida para uma expedição que este ano,  prestou atendimento médico a 1,3 mil moradores de comunidades ribeirinhas da Amazônia.  Entram na conta também 846 tratamentos dentários, que vão além das costumeiras extrações.  Os serviços são prestados pela ONG Doutores das Águas, um grupo de voluntários que, desde 2011, embarca uma vez por ano para melhorar a qualidade de vida de quem demora até três dias apenas para chegar a um posto de saúde. 'Coisas que para nós são muito simples, para eles representa um impacto tremendo', conta o idealizador do projeto, o urologista Francisco Leão...

    Verminoses e cáries estão entre os principais problemas. 'Eles têm peixe, castanha, mandioca, têm frutas. Mesmo que eles não plantem, têm o necessário para ter uma boa saúde em termos nutricionais.  Só que as verminoses acabam com isso', conta a coordenadora do projeto, Sônia Fortes.  Os médicos contam que a população vive bem, mas sem hábitos básicos de higiene, como ferver a água e escovar os dentes...



     Entre as crianças, os vilões são os doces trazidos de viagens a centros urbanos mais próximos...'A quantidade de cáries nas crianças é assustadora, muito diferente do que vemos nas grandes cidades, porque não há nenhum tipo de tratamento preventivo.  Tem crianças que ficam três dias sem dormir por causa de dor de dente', conta o dentista Luciano Moura...

   O planejamento da viagem dura cerca de um ano.  Em dezembro, parte dos remédios e dos equipamentos é levado de caminhão até Manaus por uma transportadora e chega em cerca de cinco dias.  O que é arrecadado até a última hora é levado de avião, como bagagem dos voluntários.  E aí é aquela luta para conseguir que as companhias aéreas nos liberem do pagamento de excesso de bagagem', diz Leão.  Cada um é responsável por pagar sua passagem e todos se encontram em Manaus para embarcar no Kalua, barco emprestado que abriga a equipe nos cerca de 20 dias de viagem...

   'Tinha comunidade que não via médico fazia mais de seis anos, segundo eles.  São comunidades totalmente isoladas.  Algumas são mais ou menos perto de algum centro urbano.  Perto que eu digo, é menos de dez horas de barco', diz Leão... 


Parte da equipe - medalhas de heróis a eles.
      ...a maior parte da população é analfabeta. 'Você tem por exemplo uma mãe com quatro filhos, todos analfabetos. Eles passam no médico, e ele detecta uma verminose numa criança e dor de barriga na outra.  Aí eles passam na farmácia com o receituário.  Mas, como essa mãe que não sabe ler vai medicar cada uma dessas crianças?', conta Elen Carneiro, diretora executiva do projeto...

    A falta de acesso à informação influencia também a vida sexual. 'A maioria das mulheres não sabe nem dizer como engravidou.  Não sabe se foi o beijo, se foi a transa em si ou a mão no peito', conta Elen.  A iniciação é precoce.  'Algumas têm a primeira menstruação e não chegam a ter a segunda', diz Sônia, coordenadora do grupo..."


                                                  VÍDEO ILUSTRATIVO     
     O Artigo é longo e vale a pena ler até o fim.  Eu já sabia de tudo isso muito antes dos tempos da faculdade.  O que me deixa perplexo e indignado,  é saber que desde aqueles dias até hoje, nada melhorou!  O analfabetismo até aumentou!  E o governo não se cansa de  proclamar que estamos entre as maiores economias do mundo!  Mas isso é assunto para futuras postagens.

    "Observo hoje uma falta de indignação coletiva.  Os valores morais que alicerçavam a sociedade mudaram ou fomos nós que mudamos ao nos tornarmos indiferentes?" Plinio Lopes Jr.

                 Luz de Luma, yes party adverte: "Manter livros aprisionados empoeirando na estante, faz mal à saúde dos doentes de rinite alérgica"! LIBERTE-OS!


PARTICIPE!

                                  

8 comentários:

  1. OI VITOR!
    EU VI ESTA REPORTAGEM QUANDO PASSOU NA TV, HÁ ALGUNS MESES ATRÁS E NÃO GRAVEI O NOME DESTE HERÓI, FRANCISCO LEÃO, DIGNO DO MAIOR RESPEITO E MERECEDOR DE "MEDALHAS", OU DE MUITOS MEIOS PARA MELHORAR O QUE ELE E SUA EQUIPE FAZEM.
    ME IMPRESSIONEI TANTO COM A ATITUDE DELE QUE GRAVEI ATÉ O MOTIVO QUE O LEVOU A COMEÇAR COM ESTE TRABALHO, QUE FOI O FATO DO ANALGÉSICO DADO A MULHER.
    PENA QUE ESTAS ATITUDES NÃO SEJAM MAIS LEVADAS A PÚBLICO E QUEM SABE MOSTRAR QUE TODOS NÓS PODEMOS FAZER ALGO E NÃO SÓ ESPERAR POR ESTE GOVERNO DAS "BOLSAS", QUE TODOS SABEMOS, CUJA ÚNICA MOTIVAÇÃO É SE ELEGER.
    MARAVILHOSA POSTAGEM. ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  2. Zilani! Tudo o que pudermos fazer para não deixar essas boas atitudes serem esquecidas, é nosso dever fazer, eu creio! Assim como você gravou na memória os gestos do médico como uma boa lembrança! Obrigado pelo comentário. Abraços!

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  3. Vitornani,

    Realizar um trabalho como este é um presente que se dá para si mesmo, é poder sorrir ao deitar pensando que contribuiu para um mundo melhor, apesar das dificuldades que se possa encontrar.

    Existem tantas diferenças sociais em todo o mundo, não se pode desanimar em tentar levar conhecimento e saúde a todos.

    Beijos

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  4. VITORNANI,

    você é um pessoa rica de belas experiências e sabe dividi-las!

    Um abração carioca.

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  5. A minha opinião é recíproca, Paulo! Abração!

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  6. Lindo o que foi feito tão longe do mundo, mas pertencendo ao mundo!

    Parabéns pela beleza do texto e pela humanidade do mesmo!

    Maria Luísa (os7degraus)

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  7. Sim, Maria Luisa. Essas ilhas humanitárias nos faz manter a esperança em dias melhores! Abraços!

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Seu comentário é o que torna especial esta postagem. Enriquece sobremaneira o conteúdo!
Lembrando Saint Éxupery:"Aqueles que passam por nós, não vão sós. Não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".
Obrigado pela visita!
Abraços!

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